Recebi essa foto de uma leitora do Bicicleta é amor, a Teca lá de São Paulo. Ela pedala pelas ruas da nossa capital financeira toda alinhada, coisa linda de ver. Sem falar nessa bicicleta, que dá o toque final na produção. Vocês não acham que elas estão até combinando? Não sei se ela estava indo trabalhar, mas nessas condições, descer da bicicleta e pendurar o crachá no pescoço é uma realidade possível.

Adorei a participação da Teca. Povo do meu Brasil, mandem as suas fotos também, tô esperando :)
Aqui vocês descobrem como se faz.









O Googleplex, sede do Google em Mountain View, na Califórnia, tem mais de 10.000 funcionários (!), portanto, é formado por vários edifícios. Pra se deslocar de um prédio para o outro, eles usam as Gbikes, pelas quais é difícil não se apaixonar perdidamente e à primeira vista. Isso vale tanto pra gente que espia aqui de fora quanto pro pessoal que trabalha lá e tem o prazer de ir até uma reunião no prédio do lado pedalando uma dessas magrelas coloridas. Eles confessam que adoram!

As Gbikes ganharam em 2012 uma atualização de layout e já estão na terceira geração. O novo modelo foi definido no melhor estilo Google de fazer as coisas: lançando um concurso entre os engenheiros da empresa para desenhar uma bicicleta que fosse fácil e barata para produzir e confortável e segura para pedalar. Os próprios googlers (como são chamados os funcionários) fizeram uma votação para escolher o modelo vencedor, que foi esse aqui:








Não é a tradução da própria marca da empresa em objeto? Sem dúvida esse é um bom trabalho de identidade visual, mas talvez você se questione sobre as inovações, traço marcante na essência do Google. O novo modelo de Gbikes até que é bem tradicional, com ares de bicicleta retrô. Entre os projetos inscritos no concurso, haviam os mais diferentes tipos de bicicletas, inclusive algumas engenhocas mirabolantes. A própria equipe que desenvolveu a bicicleta vencedora contou que tentou combinar materiais diferentes, implementar mecanismos novos de freios e marchas e até pensar em uma roda que não usasse ar nos pneus, mas o conforto para pedalar acabava sempre prejudicado. O bom e velho design dos modelos que trazem o conceito de bicicleta como a conhecemos hoje datam de 1885 e passaram por alterações pouco significativas de lá pra cá. 

Me veio à mente uma citação que passou pelos meus olhos há algum tempo, de autor desconhecido, e que agora faz ainda mais sentido: 
It would not be at all strange if history came to the conclusion that the perfection of the bicycle was the greatest incident of the nineteenth century.
Não seria nada estranho se a história concluísse que a perfeição da bicicleta foi o melhor acontecimento do século XIX.


Confesso que eu gostava mais da Gbike da segunda geração, utilizada nos últimos dois anos, por causa da aparência de brinquedo e pelo design que parecia traduzir melhor a sensação da marca, mas esse modelo perdia pontos com o pessoal mais alto, que achava as bicicletinhas desconfortáveis.








A primeira Gbike lançada pelo Google era quase toda azul e trazia uma bandeirinha laranja (que deve ter se desgastado com o tempo e sido aos poucos abandonada). Bem bonita também, mas dá pra ver que a ideia de trabalhar com todas cores do logo fez toda a diferença nos projetos seguintes, né?







O legal dessa história toda é pensar que a bicicleta, veículo tão simples e acessível, está marcando presença dentro de grandes empresas que são sinônimo de futuro e tecnologia. Empresas como Mozilla, Foursquare e outras também estão implementando diferentes programas para encorajar seus funcionários a utilizá-las. Mesmo no mundo dos negócios digitais, parece que o futuro é analógico.







Essa moça é a Florença Smidt e a sua bicicleta que ela às vezes chama de Bonita. Eu achei a Bonita linda! As duas fizeram uma paradinha na Usina do Gasômetro dia desses no trajeto do trabalho da Florença, no centro, até a sua casa, na Zona Sul. Atenção ao acessório na mão dela: capacete, minha gente, fundamental pra quem quer ser respeitado no trânsito.















Antes de seguir preciso esclarecer a posição deste blog. Aqui nesse território virtual se acredita que a convivência pacífica entre bicicletas, pedestres e automóveis é o caminho certo para um trânsito mais humano. A abordagem é pró-bicicleta, não anti-automóveis, ok?

Dito isso, vou expor duas campanhas publicitárias de marcas de veículos que me deixaram um pouco chocada, para promover uma reflexão.

A Mitsubishi americana, levando ao pé da letra a intenção de criar uma campanha agressiva, lançou um aplicativo para o Facebook que permite que você atropele seus amigos mais pretenciosos. É isso mesmo, sob o slogan "Great design doesn't have to be pretentious" (em português, um bom design não precisa ser pretencioso), o vídeo interativo - bastante pretencioso, aliás - te permite colocar a foto de um amigo em uma grande tela que será atropelada pelo veículo e se partirá em vários pedaços. "It's time to destroy your friend's pretentiousness" (é hora de destruir a pretenção de seus amigos) é a mensagem final da peça e o botão para iniciar o jogo diz: "Start destroyng" (comece a destruir).

Você pode experimentar a ferramenta aqui.


Imagem do aplicativo da Mitsubishi no momento em que o veículo destrói a imagem de seu amigo pretencioso.



Outra campanha agressiva de automóvel foi ao ar no Brasil no início de outubro, dessa vez pela Jeep. O slogan das peças era "A cidade é uma selva. Seja um predador". Após denúncia de um consumidor, o Conar (Conselho de Autoregulamentação Publicitária) abriu um processo contra a campanha por entender que ela incentiva o desrespeito no trânsito. A campanha já foi alterada na mídia.


Anúncio da Jeep com marcações de um consumidor inconformado.


Campanhas publicitárias como essas me chocam porque estimula um sentimento de superioridade do motorista do veículo em questão em relação a todos os outros elementos que compõem o trânsito. Destrua os pretenciosos, seja um predador, conquiste o seu espaço, você tem razão, não o outro carro, não o ciclista, não o pedestre, você, você, você!


Ninguém vai levar isso ao pé da letra, claro, mas o discurso está na TV, no jornal, na internet na forma de um grande investimento de uma marca mundialmente conhecida que mostra que é legal ser individualista nas ruas (pra não dizer violento) e legitima atitudes que são um retrocesso de pelo menos 3 casas nos esforços por uma interação pacífica no trânsito.

Esse não é o estilo de toda a comunicação do segmento, mas o fato de existirem alguns casos já é motivo de desconforto pra mim. Depois do tom agressivo, ou melhor, associado a ele, acho que uma das principais infelicidades destas campanhas é colocar o foco, o primeiro plano, no papel do motorista, e não no do indivíduo, ou seja, no cara com crise de de meia idade que deseja se sentir jovem de novo, no rapaz que materializa e define seu espírito aventureiro pelo modelo de carro que dirige, no business man que vai ser respeitado pelo carrão que deixa no estacionamento da firma, no pai de família que vai ter conforto com o carro espaçoso, enfim, deu pra entender... Você pode comprar um carro por N motivos e a escolha vai envolver questões práticas e subjetivas, há diversos tipos de desejos estimulados em um comercial de automóvel, mas ser um motorista com mais valor que os demais não pode ser um deles. No trânsito, a preferência é sempre do mais fraco e gentileza gera gentileza.


Pra finalizar e mostrar que outros raciocínios são possíveis, deixo vocês com esse vídeo da Caloi, que faz uma brincadeira com conceitos e nos mostra que o trânsito é, antes de tudo, uma questão de convivência.





E vocês, o que acham destas campanhas?